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Introdução

No que consiste a comunicação? Há aqui três acepções possíveis. A primeira define comunicação como a continuidade entre uma coisa e outra. Quando há, por exemplo, um caminho que ligue a cozinha de uma casa ao seu quintal, diz-se que há comunicação entre os dois ambientes. Uma segunda acepção possível é a de notificar alguém acerca de um evento ou acontecimento. Quando um casal envia convites ao seu casamento, efetivamente comunica aos convidados que estes são bem vindos à cerimônia. A terceira e - para nós - mais importante acepção é a de transmitir informações através de um meio.

Utilizando a terceira acepção, é possível definir os pré requisitos para que a comunicação ocorra. A saber:

  • Deve-se haver um meio. Tal qual o mar oferece morada para as correntes e estas, por sua vez, enfurecem o ar para a criação de ventos, também esse próprio ar oferece morada para as palavras humanas.
  • Tais palavras seriam apenas perdidas ao vento sem a existência de um destinatário. Sem um destino, as palavras do homem tem tanta gravidade quanto o silêncio do espaço. Sem ter quem o ouça, vive o remetente em condições similares a um astronauta submetido ao vácuo do espaço.
  • Precisa-se, portanto, que exista esse remetente para proferir suas palavras.
  • Por fim, tais palavras são fruto de uma mensagem que teve sua origem e forma original na consciência do remetente e, havendo também um destinatário e um meio que una a consciência do segundo ao primeiro, passa a existir também a interpretação da mensagem - a manifestação dessa união.

A tarefa de retraçar, através das evidências fossilizadas, a linha evolutiva humana até o momento em que - pela primeira vez - sons foram embutidos com significado é quase como tatear no escuro em busca de uma agulha em mar de palha. Há, no entanto, razões para imaginar que esse momento já havia acontecido tão cedo quanto da existência dos Neanderthais. Essas razões são resumidas em duas asserções:

  1. A análise da composição ossea dos Neanderthais indica que nele já havia todo o aparato necessário para produzir e modular sons, assim como faz hoje o homem.
  2. Há evidências de que nossos antepassados já utilizavam ferramentas suficientemente complexas de modo que é razoável assumir que seu manejo precisaria ser ensinado.

Escondida nessa segunda asserção fica o motivo pelo qual navegamos em águas tão antigas: desde que se tem informações para avaliar, é clara a conclusão de que a comunicação é como a chama Prometeica; capaz de iluminar novas eras na existência humana.

Qualquer historiador ou mesmo esudante de história é capaz de repetir que a existência humana pode ser dividida entre um período ao qual chamamos de pré-história - que expande-se no decorrer de dezenas de milhares de anos -, e o período, comparativamente muito menor, a partir do qual é possível obter informações o suficiente para que este se subdivida. Não há dúvida quanto ao evento que separa exatamente estes dois períodos: a escrita.

Desde as primeiras manifestações pictográficas nas paredes das cavernas, como os petróglifos, até o desenvolvimento de sistemas ideográficos, a escrita permitiu a preservação e a transmissão de conhecimento através das gerações. Se antes as lições eram aprendidas unicamente pela oralidade, com o advento da escrita surgiram registros que possibilitaram a sistematização do saber humano.

A invenção da imprensa no século XV por Gutenberg intensificou esse fenômeno. A informação, antes restrita às elites letradas e aos mosteiros, começou a circular com maior amplitude, permitindo a disseminação de ideias e o avanço das ciências. A revolução da informação promovida pelos livros e periódicos foi o prelúdio da revolução das telecomunicações, onde a comunicação humana transcendeu os limites da escrita física e se expandiu pelo ar, pelo fio e, mais tarde, pelo sinal digital.

A comunicação sempre foi uma necessidade humana, e com o avanço das sociedades surgiram diferentes formas de transmitir informações a distância. A palavra “telecomunicação” vem do grego “tele”, que significa “distância”, e “communicare”, que significa “tornar comum”. Trata-se, portanto, da transmissão de mensagens a longas distâncias, um conceito que começou a se concretizar desde os primórdios da civilização.

As primeiras formas de telecomunicação foram rudimentares, mas eficazes dentro do contexto de suas épocas. O uso de sinais de fumaça, tambores e bandeiras sinalizadoras são exemplos de métodos primitivos, baseados na transmissão visual ou sonora de mensagens. Civilizações antigas, como os chineses e romanos, utilizaram sistemas organizados de mensageiros para garantir que informações críticas chegassem a seus destinos com maior rapidez e confiabilidade. Esses sistemas de comunicação primitivos permitiam a coordenação de tropas, a transmissão de ordens políticas e até o alerta sobre invasões iminentes.

Com o advento do telégrafo no século XIX, os sinais elétricos começaram a ser utilizados para transmitir mensagens codificadas a grandes distâncias. O Código Morse, desenvolvido por Samuel Morse e Alfred Vail, tornou-se o padrão para comunicações telegráficas, possibilitando a transmissão eficiente de informações através de fios. Esse avanço representou um marco significativo, pois permitiu uma comunicação quase instantânea, superando as limitações de tempo e distância dos sistemas anteriores. Pouco tempo depois, a invenção do telefone por Alexander Graham Bell revolucionou ainda mais a comunicação, permitindo a transmissão direta da voz humana e transformando radicalmente a forma como as pessoas interagiam à distância.

O rádio, que surgiu no final do século XIX e se popularizou no início do século XX, ampliou ainda mais o alcance da comunicação ao permitir transmissões sem fio para grandes audiências. Com ele, surgiram as primeiras transmissões jornalísticas ao vivo, programas de entretenimento e a comunicação militar em tempo real, tornando-se um meio fundamental na organização social e na difusão cultural. Isso pavimentou o caminho para o desenvolvimento da televisão, que trouxe o elemento visual para a comunicação de massa, e, posteriormente, das telecomunicações digitais, que permitiram o armazenamento e a transmissão de dados em tempo real por meio de redes de computadores e da internet.

A necessidade de comunicação entre máquinas surge naturalmente à medida que a computação evolui. Inicialmente, os computadores eram sistemas isolados, operando em um único ambiente, mas a ideia de compartilhamento de recursos levou ao desenvolvimento das primeiras redes de computadores.

No início, a comunicação entre dispositivos se dava por meio de terminais conectados a mainframes, utilizando interfaces padronizadas para troca de informações. Com o tempo, a descentralização dos sistemas levou ao surgimento de redes locais (LANs), permitindo que múltiplos computadores compartilhassem dados e dispositivos periféricos. A partir daí, a interconexão dessas redes resultou na criação da internet, um dos marcos mais significativos da história da comunicação humana.

O crescimento exponencial da internet trouxe desafios técnicos, levando ao desenvolvimento de protocolos de comunicação que garantissem a interoperabilidade entre sistemas distintos. O conceito de camadas de rede foi introduzido para organizar a complexidade da comunicação digital, permitindo que diferentes tecnologias coexistissem e evoluíssem sem comprometer a integridade da rede global.

As redes de computadores podem ser classificadas em diferentes níveis, de acordo com seu alcance e complexidade. Esses níveis vão desde a comunicação entre dispositivos pessoais até a interconexão global. Cada nível apresenta desafios e soluções específicas para garantir o funcionamento eficiente da comunicação digital.

As Personal Area Networks (PANs) operam no nível mais básico de comunicação, interligando dispositivos próximos a um único usuário. Elas possibilitam a conexão entre dispositivos principais e seus periféricos, garantindo a multifuncionalidade dos computadores e demais equipamentos eletrônicos.

Alguns exemplos de tecnologias utilizadas nesse nível incluem:

  • VGA (Video Graphics Array) – padrão de conexão para transmissão de vídeo entre dispositivos.
  • RS232 – protocolo de comunicação serial usado em equipamentos industriais e antigos computadores.
  • USB (Universal Serial Bus) – tecnologia amplamente utilizada para transferência de dados e energia entre dispositivos.
  • Bluetooth – protocolo sem fio que permite a comunicação entre dispositivos em curtas distâncias.

Dentre essas tecnologias, o Bluetooth se destaca como um exemplo interessante de estudo, pois utiliza padrões de comunicação sem fio de baixo consumo energético para conectar dispositivos como fones de ouvido, teclados, mouses e até mesmo sistemas embarcados em automóveis.

As redes locais (LANs) interconectam computadores dentro de um ambiente restrito, como escritórios, residências e campus universitários. Esse tipo de rede permite a comunicação eficiente entre dispositivos próximos, garantindo acesso compartilhado a recursos como impressoras e servidores.

A LAN é composta por dispositivos de interconexão como switches e access points, responsáveis por distribuir os dados de forma organizada. Para o funcionamento adequado, a identificação dos dispositivos ocorre por meio de endereçamento MAC (Media Access Control) e endereçamento IP.

Outro conceito importante nas LANs é o uso de VLANs (Virtual Local Area Networks), que permitem segmentar redes locais, aumentando a segurança e o controle do tráfego de dados.

As redes metropolitanas (MANs) operam em um nível mais amplo, interligando redes locais em áreas urbanas. Essas redes utilizam meios de transmissão de alta capacidade e resistência a interferências para garantir a comunicação eficiente entre diferentes pontos de uma cidade.

Esse tipo de rede exige regulamentação governamental para concessão de direitos de operação, sendo comum o uso de tecnologias como:

  • 5G – rede móvel de alta velocidade e baixa latência, permitindo conexões rápidas e confiáveis.
  • TV a cabo – infraestrutura já existente que pode ser adaptada para fornecer internet.
  • Provedores de internet – empresas responsáveis por distribuir a conexão entre redes locais e redes de maior alcance.

As redes de longa distância (WANs) operam em escalas nacionais, continentais ou globais. Esse nível de rede apresenta desafios como maior custo de operação e menor eficiência em comparação com redes locais ou metropolitanas.

A infraestrutura das WANs depende de grandes provedores de internet e de tecnologias avançadas de transmissão de dados, como cabos submarinos, satélites e redes de fibra óptica. Para garantir a comunicação eficiente, algoritmos avançados de roteamento e transmissão de dados são empregados.

A internet representa a interconexão de redes heterogêneas, permitindo a comunicação entre dispositivos de diferentes arquiteturas e protocolos. Essa estrutura global é possível graças à atuação de gateways, dispositivos que traduzem protocolos distintos para garantir a comunicação entre redes de diferentes naturezas.

A internet revolucionou a maneira como a informação é distribuída e consumida, permitindo o acesso a serviços essenciais, redes sociais e plataformas de comunicação instantânea.

A expansão dos dispositivos capazes de se comunicar exige uma padronização eficiente para garantir a interoperabilidade. Esse princípio de padronização pode ser comparado às abstrações e padronizações adotadas em sistemas operacionais, onde diferentes camadas trabalham juntas para fornecer funcionalidade sem que cada uma precise conhecer os detalhes da outra.

Para organizar essa comunicação, surgem as camadas de rede, que dividem a complexidade da transmissão de dados em níveis hierárquicos. Essas camadas utilizam conceitos fundamentais, como:

  • Camadas: Divisões funcionais da comunicação de dados.
  • Protocolos: Conjuntos de regras que definem como as camadas devem interagir.
  • Interfaces: Pontos de conexão entre camadas adjacentes, permitindo a troca de dados.
  • Pacotes: Blocos de dados encapsulados com informações necessárias para a transmissão e recepção.

4.2. Funcionamento do Encapsulamento de Dados

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O principal conceito por trás das camadas é que uma camada inferior não sabe da existência da superior. Cada camada adiciona informações no formato de cabeçalhos e, em alguns casos, terminadores, que estruturam os pacotes de forma a serem compreendidos pela próxima camada.

O processo de comunicação ocorre da seguinte forma:

  1. O remetente empilha cabeçalhos à medida que a mensagem passa por camadas inferiores.
  2. A mensagem pode ser dividida em múltiplas partes para facilitar o transporte.
  3. O destinatário executa o processo inverso, removendo os cabeçalhos e reconstituindo a mensagem original.

Esse modelo garante um fluxo organizado e modular, permitindo a expansão e a manutenção eficiente das redes sem comprometer a compatibilidade entre sistemas diferentes.